domingo, 23 de junho de 2013

REFLEXO DA INFLAÇÃO SOBRE O ORÇAMENTO



O que você acha de ter um salário de
milhões?

Os salários refletem uma época de desajuste da economia. Os dados são reais, foram tirados de uma tabela salarial que vigorou no período.


Até 1994 o Brasil passou por vários planos econômicos na  tentativa de conter a inflação, que somente veio a ser superada com o Plano Real, com medidas que tiveram início a partir de março de 1994, com a conversão dos salários em URV - Unidade Real de Valor, a qual era reajustada diariamente com base na perda de valor da moeda da época (CR$), que também passou a ser usada  para valorizar contratos.

Os salários e contratos em URV eram valorizados para a moeda corrente com base no valor da Unidade Real de Valor da data do pagamento.                                    

Passado três meses nesse sistema, toda a economia estava alinhada pelo indexador, foi criado o Real, que substitui a URV, cuja valor em 30 de junho de 1994 correspondia a CR$2.750,00, passando, a partir de 1º de julho de 1994,  a ser valorizados em Real todos os salários e contratos.

É claro que outras medidas foram tomadas pelo Governo para sanar as contas públicas e equilibrar o Orçamento, para evitar que a inflação tomasse folego.

Para se ter uma ideia, até 30 de junho de 1994, os supermercados tinha funcionários para remarcarem diariamente, o dia todo, os preços das mercadorias, pois, a variação de preços ocorria duas, ou mais, vezes por dia, cada remessa que chegava já tinha novo preço. Os salários eram reajustados mensalmente. A inflação chegou a 80% em um mês.

As empresas, que haviam contraído empréstimos em moeda estrangeira, por incentivo do governo,  tiveram grandes prejuízos com as maxi-desvalorizações da moeda, principalmente as empresas que tinham contratos com o governo, pois, embora os contratos tivessem reajustes por índices contratuais, não havia como repassar as maxis-desvalorizações da moeda, que afetavam os empréstimos externos, aumentando as dívidas das empresas.

Também ocorreu o congelamento da  poupança, conhecido como confisco da poupança,  e foi decretada  moratória da dívida externa, que acabou com o interesse da empresas estrangeiras em investir no País, impossibilitando a criação de novos empregos e gerando desemprego.

Os salários foram achatados, perdendo o poder de compra, parte do salário não era corrigida, pois dependia de negociação com o empregador, porém, o desemprego era fator que impedia negociação que repusesse as perdas. 

A Contabilidade passou um período de muita dificuldade em demonstrar através dos balanços o patrimônio das empresas. Havia correção monetária do Ativo Imobilizado e do Patrimônio Líquido, que resultava em prejuízo ou lucro inflacionário.

Os técnicos estrangeiros não conseguiam entender como  o resultado negativo da correção monetária do balanço de um o ano influenciava o resultado do exercício seguinte, ou seja, o prejuízo inflacionário de um exercício  se transformava em parcela, que corrigida, influenciava positivamente o resultado da  correção monetária do exercício seguinte, podendo um prejuízo operacional se transformar em lucro após a correção monetária.

Participei ativamente do problema, como Gerente Financeiro de uma empresa estrangeira, com empréstimos em moeda estrangeira. Era uma loucura!

Deus deu um basta aquela loucura, concedendo luz aos dirigentes e técnicos que criaram o Plano Real, que resolveu o problema da inflação no Brasil.

Já se passaram 20 anos do Plano Real. Muitos não se lembram mais do que era a inflação. As técnicas usadas para elaborar os orçamentos, que considerava vários índices, que serviam para corrigir contratos e salários; bem como os instrumentos criados por lei,   tais como: gatilho salarial;   variação cambial com quatro taxas diárias. Não era fácil!

A volta da perda da capacidade de compra é motivo de preocupação, devendo as empresas considerarem em seus orçamentos a estimativa da  inflação para o período, minimizando o risco de perda. Tal providência, também, deve ser adotada para que não haja necessidade de reajustes acentuados, que dificultem as  vendas, principalmente, quando dos reajustes salariais e contratos reajustados em períodos mais longos.

A inflação tem um efeito devastador sobre a empresa, pois delapida o patrimônio sem que o empresário o perceba. Por exemplo, as mercadorias que estão em estoque, para efeito de cálculo do preço de venda, devem ter o valor atualizado, pois corre-se o risco do valor recebido na venda ser insuficiente para repor o estoque, principalmente, se tratando de produtos importados, que variam conforme o câmbio.


Também, é necessário que o preço de venda considere o fator inflação, desde a aquisição até o recebimento do valor relativo à venda, que, em muitos casos, já está embutida nos juros bancários em desconto de duplicatas,  empréstimo para capital de giro, que tem como garantia as duplicatas emitidas pelas vendas efetuadas.

O Orçamento já elaborado na postagem anterior, deve ser inflacionado, por um índice que represente cada tipo de despesa e receita. Assim, de acordo com  as operações da empresa, devem serem aplicados vários índices que representem: a inflação, a variação cambial, o reajuste de alugueis, o reajuste dos salários, reajuste de contratos de prestação de serviços etc.

As empresas estrangeiras necessitam, além de um orçamento em moeda corrente, do Orçamento em US$. Assim, as receitas e despesas projetadas que consideram os índices retro mencionados, resultando em um Orçamento inflacionado, que deve ser convertido, com base no valor estimado da moeda estrangeira, mês a mês, chegando-se a um Orçamento em US$.

Porém,  considerando que, regra geral, as empresas não possuem tamanha complexidade, adotaremos  em nosso trabalho apenas a estimativa do IPCA para inflacionarmos o Orçamento já estimado em nossa   postagem anterior. 

Conforme publicado no Estadão.com.br, a projeção de inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 2013 subiu de 5,80% para 5,83%, de acordo com a pesquisa Focus divulgada nesta segunda-feira, 17, pelo Banco Central.

No caso,  a inflação prevista para 2013, segundo o Bacen, é de 5,83% para o ano,  adotaremos a inflação média, por mês, com utilização de uma calculadora financeira, da seguinte forma:

a) vamos tomar por base 100 com sinal (-), no início do período, colocar na calculadora financeira, como valor presente (PV);
b) a base 100+5,83 = 105,83, como valor futuro (FV);
c) número de meses: 12, em (n);
d) apertar a tecla da taxa (i);
e) a máquina calculará:  0,4733.

Vamos conferir?

O índice criado corresponde  à multiplicação do índice anterior por (1+0,004733), correspondendo a, 100% + 0,4733%.                                                                                                                                                                          

Por exemplo, no mês de janeiro: 100X(1+0,004733) =100,4733; fevereiro: 100,4733X (1+0,004733) = 100,9488.

Com o índice vamos inflacionar o Orçamento já elaborado para o primeiro semestre, apresentado na postagem FLUXO DE CAIXA (CASH FLOW) - ORÇAMENTO DA EMPRESA.

Entretanto, devido a esta postagem ter se estendido para dar uma ideia do que foi a inflação no Brasil, vamos apresentar o Orçamento Inflacionado no próximo post.

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Caros amigos leitores até a próxima, com o Orçamento Inflacionado!